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Ana Canudo e Diana Dantas - Técnicas de Medicina Nuclear no Centro Clínico Champalimaud

A Ana Canudo e a Diana Dantas são Técnicas de Medicina Nuclear no Centro Champalimaud. Nesta entrevista, falam-nos sobre o trabalho que desenvolvem numa das áreas mais inovadoras do diagnóstico e tratamento oncológico.

  1. 13.2.2017

    Podem, por favor, explicar-nos qual o Vosso papel no Centro Clínico Champalimaud, primeiro numa perspetiva mais geral e um pouco mais concretamente, no dia a dia.

    Ana Canudo: Um técnico de Medicina Nuclear é um técnico com funções diagnósticas e terapêuticas, através da administração de radiofármacos. Aqui, na Fundação Champalimaud, estamos a falar maioritariamente de exames em contexto oncológico e também fazemos, embora com menor expressão, terapêuticas.

    Diana Dantas: O nosso dia de trabalho estende-se por 12 ou mais horas de trabalho nas várias vertentes de serviço. O trabalho é feito por turnos distintos em que cada pessoa é responsável por uma função. Tudo começa bem cedo de manhã com os controlos de qualidade dos equipamentos, a preparação dos radiofármacos e respetivos controlos de qualidade. Segue-se a parte de acompanhamento dos doentes com a preparação e explicação do exame, a administração dos radiofármacos e finalmente a aquisição das imagens e seu processamento e análise para que possam ser relatados pelos médicos especialistas.

    Ana Canudo: Todas as atividades no nosso serviço são de carácter multidisciplinar, pelo que a interação entre todos os elementos do pessoal é fundamental. Desde a chegada do doente até à elaboração final do relatório é fulcral a participação de pessoas chave no processo. Da equipa administrativa, para marcação e agendamento de exames, de médicos especialistas, para a justificação clínica face ao uso de radiação ionizante, técnicos para a realização efetiva de exames, assistentes operacionais para ajuda ao bem-estar dos doentes, de físicos especialistas para controlo de qualidade e proteção radiológica e farmacêuticos com competências em radiofarmácia para realizar a supervisão.

    Quais são os maiores desafios que enfrentam, no dia a dia?

    Ana Canudo: Um dos principais desafios está em desmistificar o uso da radiação. Um aspeto muito importante na nossa área de atuação é que a administração de radiação (radiofármaco) é imprescindível. É também para nós fundamental explicar, de forma fácil de entender os perigos potenciais da radiação para as pessoas da população geral sem nunca esquecer o benefício para o próprio doente.

    Diana Dantas: Nesse respeito, nós, enquanto profissionais, estamos preparados para efetuar todas as tarefas necessárias com a máxima segurança e proteção possíveis. Isto é feito naturalmente devido à nossa formação e experiência profissionais. Por outro lado, porque grande parte dos nossos doentes estão a lidar com a doença oncológica, nós temos de os ajudar e tentar aliviar uma ansiedade que é natural que exista. Este é, muito provavelmente, o desafio maior - lidar com as pessoas, tentar dar-lhes algum ânimo – assegurar que a sua experiência na Medicina Nuclear ajuda a reduzir estes fatores negativos.

    Ana Canudo: Exato! A maior parte dos exames, na área da oncologia, avaliam a resposta a um tratamento, ou ajudam o estadiamento inicial da doença. A relação do doente para com a sua doença e reações psicológicas associadas ao seu tratamento exigem cuidados ainda mais específicos, com os quais temos de saber lidar, perceber e ajudar. Claro que o resultado final pode ser sempre uma surpresa, positiva ou negativa. Uma parte importante do nosso trabalho é a flexibilidade e a capacidade de nos adaptarmos, porque cada doente é único, nunca descurando o resultado final que é a qualidade diagnóstica do exame.

    Quais são os aspetos mais positivos do Vosso trabalho?

    Diana Dantas: Há pessoas que nos marcam, ou porque vêm ao serviço com mais frequência fazer os exames, ou porque nos cativam de uma outra qualquer forma. Damos por nós a dizer “A Sra. X ou o Sr. Y vem cá para a semana, oxalá que esteja tudo bem”, e a parte “boa” é vermos estas pessoas, que já conhecemos, vêm em visita de “follow-up”, e acabamos por perceber que existe estabilidade da doença, ou até mesmo melhoria parcial. E isto é o que nos deixa verdadeiramente felizes.

    Ana Canudo: A nível técnico sentimos a valorização técnica do nosso trabalho através da produção própria de radiofármacos, que ainda não fazem parte da rotina de muitos serviços de Medicina Nuclear em Portugal ou mesmo a nível internacional. E isto é muito aliciante! Há ainda outros aspetos da nossa atividade que nos dão enorme prazer - a participação académica na formação de alunos, estagiários e outros profissionais. Recebemos muitos estudantes que estão a fazer a sua licenciatura ou mestrado e estagiam connosco. Ajudar na formação de futuros profissionais é para nós um fator de orgulho pessoal e coletivo, o que nos satisfaz imenso.

    A que avanços já assistiram, na Vossa área de atuação, desde que começaram a trabalhar?

    Ana Canudo: Na Fundação Champalimaud, houve avanços a nível de pessoal, a nossa equipa mais que duplicou e nota-se bastante este crescimento no nosso dia a dia. Temos uma equipa muito maior, que mantém a sua coesão, e confiamos plenamente uns nos outros. Temos uma equipa completamente interligada, e ao dizer isto não me refiro apenas aos técnicos, mas também aos médicos, físicos, assistentes operacionais e administrativas, assim como o pessoal de farmácia (incluindo radiofarmacêutica) e os restantes membros da equipa da Fundação.

    Diana Dantas: Mais especificamente o desenvolvimento a que nos referimos passa principalmente pela capacidade e disponibilidade para sintetizar novos radiofármacos. Durante estes 5 anos de atividade, conseguimos introduzir novos métodos de diagnóstico e terapêutica com radiofármacos, no mínimo 6, que não eram usados até há bem pouco tempo. Em alguns deles, fomos mesmo pioneiros em Portugal.

    Ana Canudo: E alguns desses radiofármacos são mesmo feitos por nós, não são comprados já pré-feitos e isso dá-nos bastante orgulho, somos nós que os produzimos do zero. E fazê-lo, assegurando a máxima qualidade possível seguindo as normas e regulações internacionais.

    Diana Dantas: Os equipamentos que usamos são muito recentes e o seu desenvolvimento está dependente dos fabricantes. No entanto, temos contribuído para a melhoria do software para processamento e análise dos exames.

    O que é gostariam de poder dizer daqui a 5 ou 10 anos?
    Ana Canudo: A nossa ambição para os próximos 5 a 10 anos passa por aumentar e melhorar a prestação de serviços em todas as atividades que usam radiofármacos, nomeadamente pelo melhoramento dos espaços disponíveis e ampliação da disponibilidade de equipamentos. Sabemos que está em curso a implementação de um PET/CT novo e pensamos que talvez seja necessário uma outra Câmara Gama.

    Diana Dantas: O que a Ana disse é muito importante porque, queremos manter a elevada qualidade do serviço que prestamos e simultaneamente participar em outras atividades complementares como ensaios clínicos e projetos de investigação.




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