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ARVO/Champalimaud Lecture 2017

A edição deste ano da ARVO 2017, marcou o 10º aniversário da presença da Fundação Champalimaud naquele que é o maior encontro mundial de investigadores e especialistas na área da visão.

  1. 11.5.2017

    A reunião anual da ARVO - que acolhe cerca de 11.000 participantes provenientes de mais de 75 países e que este ano teve lugar em Baltimore, nos EUA, entre 7 e 11 de maio - foi novamente palco da ARVO/Champalimaud Lecture 2017 que colocou em destaque o trabalho desenvolvido pelos premiados do Prémio António Champalimaud de Visão 2016. Presentes estiveram a Presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza; o Presidente do Júri do Prémio António Champalimaud de Visão, Alfred Sommer; e 3 dos 4 vencedores do Prémio António Champalimaud de Visão 2016: John Flanagan, Christine Holt, Carol Mason e Carla Shatz.

    Num discurso pautado por mensagens de reconhecimento por tudo o que já foi alcançado na luta contra as doenças da visão, Leonor Beleza, chamou ainda a atenção para o muito que ainda está por alcançar nesta área e os desafios que se colocam a todos quantos definem como sua missão debelar um flagelo que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente nos países em vias de desenvolvimento.

    “É com enorme prazer que estamos aqui, em Baltimore, para celebrar o incrível trabalho realizado, em todo o mundo, para encontrar novas formas de devolver a visão e esperança a quem mais necessita. Mas estamos aqui também para lançar um olhar sobre o que ainda está por fazer e como podemos trabalhar juntos para encontrar novas maneiras de tratar os problemas da visão (…). Foi o reconhecimento da magnitude desta tarefa que levou a Fundação Champalimaud a criar o Prémio António Champalimaud de Visão (…) A dedicação dos profissionais de saúde, voluntários, comunidades, famílias, cientistas e ONGs desempenha um papel crucial na luta por um mundo onde todos têm o direito à visão. E é por isso que acredito que um prémio dedicado a reconhecer esses esforços deve fazê-lo em ambos os extremos do espectro.

    Por um lado, devemos recordar-nos da luta diária que se trava no mundo em desenvolvimento para enfrentar problemas que há muito tempo deixaram de o ser no ocidente. Nas sociedades tecnologicamente mais avançadas, muitas vezes consideramos a existência de uma medicina eficaz como um dado adquirido e podemos correr o risco de nos esquecermos da facilidade com que vidas e comunidades podem ser destruídas quando esse tipo de cobertura de saúde não está disponível. Tenho visto em primeira mão o desespero e a perda de qualidade de vida de alguém que sofre de cataratas. Mas tenho também o privilégio de ver como um único cirurgião, a um custo relativamente baixo, pode realizar mais de 100 cirurgias às cataratas num único dia, devolvendo a visão e esperança aos doentes através de um procedimento que demora apenas 10 minutos. E isto não é menos verdade para aqueles que sofrem de muitas outras doenças oftalmológicas, no mundo em desenvolvimento. A ideia de que um de nós, nesta sala, pode um dia perder a visão por causa de uma oncocercose ou tracoma está longe dos nossos pensamentos mais temidos, protegidos que estamos pela nossa medicina moderna e condições de saneamento. Mas como bem sabemos, este direito humano básico de acesso a condições de cuidados de saúde adequados muitas vezes falha nos locais mais periféricos do mundo. E é por isso que devemos permanecer gratos às muitas organizações que procuram ampliar a cobertura dos cuidados de saúde modernos, em regiões mais desfavorecidas.

    Mas há um outro lado nesta luta contra os distúrbios da visão. Na base de todas as nossas soluções médicas e tecnológicas para os problemas da visão está a investigação fundamental. E por cada desenvolvimento tecnológico, como são exemplo as lentes intraoculares modernas, há um enorme número de cientistas que dedicaram as suas vidas a melhorar as vidas dos outros através dos seus esforços. O que hoje é rotina na medicina moderna, há duas gerações era muitas vezes considerado impossível, e o nosso compromisso com o financiamento da ciência é parte integrante deste desenvolvimento. E embora as curas para a retinite pigmentos ou a retinopatia diabética se estejam a revelar difíceis de alcançar, não tenho dúvidas de que o trabalho em curso, realizado por muitos investigadores em todo o mundo, oferece esperança e um raio de luz a quem sofre destas doenças.

    Assim, na luta contra a cegueira, dependemos desta dualidade entre o excelente trabalho realizado na área dos cuidados de saúde e os avanços científicos de vanguarda. E é esta dualidade que está no coração do Prémio António Champalimaud de Visão e a sua missão de reconhecer a excelência de todos os intervenientes nas duas extremidades deste espectro. Nos anos ímpares, o prémio é atribuído a grupos e organizações, ativos no mundo em desenvolvimento, que oferecem intervenções clínicas aqueles que necessitam. Em anos pares, o prémio é atribuído a equipas de investigação que ativamente procuram melhorar a nossa compreensão da visão (…) Em 2016, o Prémio António Champalimaud de Visão reconheceu o trabalho de 4 laboratórios que veio ampliar a nossa compreensão sobre a forma como os nossos olhos enviam sinais para as áreas apropriadas do cérebro. Grande parte do que atualmente sabemos sobre os mecanismos celulares e moleculares envolvidos no estabelecimento e formação dos padrões das projeções retinais, vem dos esforços individuais e coletivos de John Flanagan, Christine Holt, Carol Mason e Carla Shatz.”

    O facto de, em 2016, 3 dos 4 investigadores agraciados pelo Prémio António Champalimaud de Visão serem mulheres, não deixou de ser referido como um grande motivo de orgulho para Leonor Beleza, acérrima defensora da igualdade de oportunidades e representatividade feminina em todas as esferas da sociedade e em particular na área científica. A Presidente da fundação Champalimaud aproveitou ainda esta oportunidade para endereçar umas palavras especiais de gratidão ao Júri do Prémio Visão pelo seu incansável trabalho de, ano após ano, identificar as pessoas e organizações mais merecedoras de reconhecimento.

    A ARVO/Champalimaud Lecture 2017, continuou com as intervenções do Presidente do Júri do Prémio, Alfred Sommer; e dos premiados de 2016, John Flanagan, Christine Holt e Carol Mason.

    A parceria e relação de amizade entre a Fundação Champalimaud e a ARVO conhecerá, em julho 2018, um novo impulso com a organização conjunta da ARVO Ocular Oncogenesis and Oncology Conference. É com enorme expectativa que a Fundação Champalimaud acolhe, no Centro Champalimaud em Lisboa, este importante forum de discussão onde se esperam importantes contribuições, provenientes de todo o mundo, na área da visão e oncologia.

    A ARVO - The Association for Research in Vision and Ophthalmology - é a maior e mais respeitada organização de investigação em oftalmologia e visão, do mundo. Com cerca de 12.000 membros, de mais de 75 países, a ARVO pretende promover a investigação, contribuir para o avanço da compreensão do sistema visual e prevenir, tratar e curar as doenças da visão.




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