4 setembro 2018

Fundação anuncia vencedores do Prémio Visão 2018

Prémio António Champalimaud de Visão 2018 distingue primeira terapia genética a conseguir curar uma doença humana hereditária.

Fundação anuncia vencedores do Prémio Visão 2018

Este ano, o maior prémio do mundo na área da Visão, no valor de 1 milhão de euros, reconheceu os extraordinários avanços científicos dos investigadores Jean Bennett, Albert Maguire, Robin Ali, James Bainbridge, Samuel Jacobson e William Hauswirth, que desenvolveram a terapia genética para a Amaurose Congénita de Leber, uma forma de cegueira infantil, cuja causa genética foi descoberta por Michael Redmond, também premiado.

É a primeira vez que uma terapia genética consegue curar uma doença hereditária. Nesse sentido, esta é uma conquista revolucionária da medicina, que abre caminho a novos tratamentos de condições genéticas.

O trabalho dos investigadores premiados baseou-se na clonagem prévia do gene RPE65 por Michael Redmond e pelo reconhecimento do papel crítico deste gene no metabolismo da vitamina A para a visão.

A perceção visual começa nos olhos com a ativação de respostas neurais desencadeadas pela luz. Há 50 anos, George Wald recebeu o prémio Nobel por demonstrar o papel central da vitamina A nos eventos bioquímicos que convertem a luz em impulsos visuais neurais. 25 anos depois, Michael Redmond clonou o gene RPE65 e demonstrou que este é essencial para converter a vitamina A na forma ativa nas células foto-recetoras da retina. Logo a seguir, descobriu-se que as mutações deste gene tornam as crianças funcionalmente cegas nos primeiros meses de vida.

As três equipas de investigação premiadas são compostas por:

  • Jean Bennett, M.D. Ph.D. e Albert M. Maguire, M.D.; Scheie Eye Institute, University of Pennsylvania School of Medicine and Children’s Hospital of Philadelphia.

  • Robin Ali, Ph.D. e James Bainbridge M.D., Ph.D.; Institute of Ophthalmology of the University College London and Moorfields Eye Hospital.

  • Samuel G. Jacobson, M.D., Ph.D. e William W. Hauswirth, Ph.D.; Scheie Eye Institute, University of Pennsylvania School of Medicine and University of Florida College of Medicine.

Estes investigadores, trabalhando deparadamente e em conjunto desenvolveram formas de fornecer uma substituição funcional do RPE65 usando uma terapia de reposição do gene no olho, que restaura a visão das crianças e adultos. Este sucesso pioneiro pode tornar possível o desenvolvimento de terapias genéticas para o tratamento de muitas outras doenças hereditárias.

Conforme referiu Leonor Beleza, Presidente da Fundação Champalimaud, o prémio deste ano "reconhece a ciência subjacente a todas as etapas da descoberta e processo de transferência de conhecimento, desde as descobertas científicas básicas iniciais até aos desenvolvimentos terapêuticos que têm uma enorme repercussão na vida dos doentes. O profundo impacto das suas descobertas continuará a sentir-se nos próximos anos."

A cerimónia de entrega do prémio decorreu no dia 4 de setembro, no anfiteatro exterior da Fundação Champalimaud e contou com a presença de, para além dos 7 investigadores premiados, inúmeros convidados nacionais e estrangeiros e da família de António Champalimaud, que celebraram connosco os extraordinários resultados do trabalho de investigação de um grupo de cientistas que, de forma incansável, trabalha para traduzir as descobertas realizadas em laboratório em terapêuticas eficazes, que médicos de todo o mundo poderão utilizar para tratar os seus doentes.

Presidida por Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa, a cerimónia de entrega do prémio contou com as intervenções da Presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza; do Presidente do Júri, Alfred Sommer e de Luísa Champalimaud em representação da família do Fundador. Vários momentos musicais marcaram este evento em que se celebrou não apenas a ciência, mas o impacto real que o trabalho destes, e muitos outros investigadores, tem na vida de milhares de pessoas.