15 Maio 2026
Bem-vindo, Prof. Otmar Wiestler, MD, novo Diretor de Ciência da Fundação Champalimaud
Regressar a casa, ao fascinante campo da biomedicina.
15 Maio 2026
Regressar a casa, ao fascinante campo da biomedicina.
Com uma carreira marcada pela liderança de algumas das mais influentes instituições europeias de investigação biomédica, Otmar Wiestler junta-se à Fundação Champalimaud (FC) como Diretor de Ciência. Médico-cientista e líder de investigação de renome internacional, desempenhou um papel central na definição de grandes organizações científicas, nomeadamente como Presidente da Helmholtz Association e, anteriormente, como Presidente do Conselho de Administração e Diretor Executivo do Centro Alemão de Investigação do Cancro (DKFZ).
Ao longo da sua carreira, Otmar combinou uma profunda especialização em neuropatologia e investigação em oncologia com uma atuação centrada na criação e coordenação de ambientes de investigação multidisciplinares. Na FC, assume uma função recém-criada que visa reforçar as ligações entre programas científicos, atividade clínica e ensino, contribuindo para uma visão mais integrada e colaborativa do futuro da instituição.
Para Otmar Wiestler, a decisão de se juntar à FC foi sendo construída ao longo do tempo, e não resultado de um único momento decisivo.
Após concluir o seu segundo mandato na Helmholtz, considerou dois caminhos possíveis. “Um seria assumir um conjunto de funções de apoio consultivo, com base na experiência acumulada ao longo de muitos anos”, afirma. “O outro seria juntar-me a uma instituição com um potencial de futuro marcante e ajudar a dar-lhe forma. A FC oferecia claramente essa oportunidade.”
Descreve também esta mudança como um regresso. Após mais de uma década à frente de uma grande organização multidisciplinar, vê este passo como uma forma de voltar a ligar-se a um território familiar, “regressar a casa, ao fascinante campo da biomedicina”.
O cargo de Diretor de Ciência é uma função nova na FC, criada para reforçar a interação entre investigação e prática clínica. Estes dois universos já coexistem no campus da FC onde laboratórios e áreas clínicas partilham o mesmo espaço.
Para si, a questão central é o que acontece para além dessa proximidade. “Temos de trabalhar para transformar esta instituição num espaço com muito mais interação entre a investigação e a vertente clínica”, afirma. “Isso é essencial se quisermos alcançar o verdadeiro sucesso na investigação translacional.”
Um conceito-chave neste esforço é aquilo que a Presidente Leonor Beleza descreve como “Investigação de Fusão”, um termo criado pelo Vice-Presidente João Silveira Botelho para descrever uma forma integrada de trabalhar entre disciplinas e culturas profissionais. Como refere Otmar “Queremos posicionar a FC como uma referência na investigação translacional, na interface entre investigação de ponta e medicina de alta tecnologia.”
Reconhece, contudo, que este não é um processo simples. “São culturas diferentes”, observa. “Cientistas e clínicos têm frequentemente perspetivas e prioridades distintas.”
Mais do que eliminar essas diferenças, o objetivo é trabalhar a partir delas e desbloquear o potencial único de colaboração que oferecem. Isto inclui criar mais oportunidades de trabalho conjunto, promover o intercâmbio contínuo, iniciativas partilhadas e reforçar funções que fazem a ponte entre os dois contextos. “Os colegas que trabalham simultaneamente na clínica e no laboratório estão numa posição privilegiada para construir essas pontes.”
Nos seus primeiros meses na FC, Otmar está focado em compreender a instituição em profundidade. Um programa estruturado de integração levá-lo-á a conhecer todos os grupos de investigação, unidades clínicas e serviços de apoio. “É a forma mais eficaz de obter uma visão abrangente e de conhecer o maior número possível de colegas”, afirma. “Será a base para definirmos em conjunto a estratégia futura.”
Várias áreas destacam-se já como prioritárias no panorama científico e clínico da FC, incluindo o cancro do pâncreas e da próstata, as neuroterapêuticas digitais e a aplicação de inteligência artificial na medicina e na investigação biomédica.
O que liga estes domínios, sugere, é o potencial para reforçar a ligação entre investigação e aplicação clínica. “Devemos concentrar-nos em áreas onde temos verdadeira força tanto na investigação como na prática clínica, e onde podemos construir excelência interdisciplinar com um perfil único e massa crítica.”
Aponta também para uma mudança mais ampla na medicina do futuro. “A medicina continua, em grande medida, a ser um modelo de reparação. Esperamos que a doença surja e depois tentamos tratá-la. Precisamos de dar muito mais atenção à deteção precoce e à prevenção. A FC pode também assumir aqui um papel pioneiro.”
Em todas as áreas de desenvolvimento, Otmar regressa a um ponto central: as pessoas.
“No final, o sucesso depende de mentes talentosas e criativas”, afirma. “Mesmo com infraestruturas excelentes, não é possível atingir o mais alto nível sem as pessoas certas.”
Atrair, desenvolver e capacitar talento será, por isso, uma prioridade central na FC. Isto inclui não apenas o recrutamento e o desenvolvimento de carreira, mas também a criação de condições que permitam a clínicos e investigadores desempenhar diferentes funções, com tempo protegido para investigação a par da atividade clínica, particularmente na interface entre investigação e prática clínica.
“Precisamos de pessoas capazes de combinar diferentes perspetivas, por exemplo entre medicina e investigação ou entre medicina e ciência de dados. Este tipo de talento interdisciplinar será cada vez mais importante.”
Embora a FC já tenha forte visibilidade em áreas científicas específicas, Otmar Wiestler considera que existe margem para reforçar ainda mais o seu perfil internacional.
“Se conseguirmos estabelecer verdadeiros centros de excelência em áreas selecionadas, isso reforçará naturalmente o nosso posicionamento internacional.”
Para o novo diretor, a visibilidade global resulta da colaboração, e não o contrário. “Os desafios médicos são globais”, afirma. “As parcerias internacionais são essenciais, quer ao nível de grupos de investigação individuais, quer através de alianças institucionais.”
Tendo chegado a Lisboa há apenas quatro semanas, Otmar e a sua mulher estão ainda a adaptar-se ao novo contexto. “É um ambiente muito estimulante”, afirma, “e existe um forte sentido de respeito e confiança, algo diferente do que estávamos habituados em Berlim.”
Fora do trabalho, a família continua a ser central. Com seis filhos e seis netos, a vida é muito preenchida e dinâmica. Sempre que possível, prefere passar o tempo ao ar livre, agora em Portugal.
“Sempre que posso, gosto de ir para a montanha”, diz. “É ali que encontro um sentido de liberdade que ajuda a clarificar o pensamento e a libertar o peso do dia a dia.”
Ao iniciar funções na FC, Otmar Wiestler tem como objetivo criar ligações entre disciplinas, pessoas, equipas e fronteiras institucionais.
“Temos aqui uma oportunidade única”, afirma. “Se conseguirmos unir as diferentes partes desta instituição da forma certa, poderemos alcançar algo verdadeiramente excecional, em linha com a visão do nosso fundador.”