Este procedimento foi realizado no âmbito do recém-lançado Programa de Cirurgia Mamária Robótica e Endoscópica Minimamente Invasiva, uma iniciativa desenvolvida pela Fundação Champalimaud como parte das opções de tratamento cirúrgico oferecidas a doentes selecionados com cancro da mama, representando um avanço significativo na inovação cirúrgica e nos cuidados centrados no doente.
Após certificação internacional em cirurgia robótica no sistema Da Vinci, o cirurgião Pedro Gouveia liderou a cirurgia mamária minimamente invasiva, juntamente com o colega David Pinto, o proctor Manolo Garcia e a enfermeira instrumentista Inês Bolina. Pedro Gouveia e David Pinto são atualmente os únicos cirurgiões portugueses acreditados para realizar este procedimento.
A intervenção foi feita numa doente com uma lesão com potencial de recidiva e risco oncológico aumentado, que foi submetida a cirurgia redutora de risco após avaliação multidisciplinar e avaliação psicológica, no âmbito de um processo de decisão partilhada.
“A mastectomia robótica foi selecionada pela sua abordagem minimamente invasiva, permitindo incisões mais pequenas e menos visíveis, melhores resultados estéticos e elevados níveis de satisfação da doente em comparação com a mastectomia aberta convencional”, afirmou Pedro. “Além disso, esta técnica pode contribuir para uma melhor preservação da sensibilidade cutânea e da perceção da temperatura no período pós-operatório”, acrescentou. Estudos internacionais reportam também menor perda de sangue, menos complicações, menor dor pós-operatória e uma recuperação mais rápida, mantendo a segurança oncológica.
Esta técnica poderá ser adequada para doentes selecionados, incluindo aqueles que procuram uma mastectomia redutora de risco devido a elevado risco genético ou familiar de cancro da mama. Outros critérios de elegibilidade incluem, tipicamente, doentes com mamas de pequena a moderada dimensão e sem ptose (flacidez).
“Este primeiro procedimento representa um passo importante na consolidação da cirurgia mamária robótica em Portugal, com potencial para expandir opções de tratamento mais personalizadas e menos invasivas para as doentes”, afirma Maria João Cardoso, responsável pelo Breast Cancer Research Program da Fundação Champalimaud. Em linha com esta visão, Andrea De Censi, Diretor do Departamento da Mama, reforça: “Com base na sólida evidência internacional e no programa estruturado de cirurgia robótica estabelecido no Centro Clínico Champalimaud, acreditamos que esta técnica se tornará progressivamente uma opção padrão para doentes selecionados, permitindo tratamentos mais personalizados, menos invasivos e com benefícios imediatos e tangíveis para pessoas com cancro da mama.”
Texto por Teresa Fernandes, Co-coordenadora da Equipa de Comunicação, Eventos & Outreach da Fundação Champalimaud