Resultado de uma parceria entre a Fundação Champalimaud e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), o programa tem como objetivo apoiar o desenvolvimento de carreira de cirurgiões e médicos-cientistas dedicados ao avanço da investigação em cancro. O grau de doutor é atribuído pela FMUL, no âmbito do Programa de Doutoramento do Centro Académico de Medicina de Lisboa (CAML).
A primeira edição integra os alunos Filipe Borges, Miguel Fróis Borges, Ana João, Vera Oliveira, Marta Sousa e Kai Sun, que irão desenvolver os seus projetos de doutoramento nos laboratórios Würth do Botton-Champalimaud Pancreatic Cancer Centre. Os seus trabalhos decorrerão num ambiente de investigação dedicado à oncologia cirúrgica, abrangendo investigação básica, translacional e ensaios clínicos.
Coordenado pelo Professor Paulo Costa e pelo Professor Markus Büchler, o programa oferece um percurso doutoral flexível dirigido a internos de cirurgia e cirurgiões especialistas na área da oncologia cirúrgica. Excecionalmente, poderão também candidatar-se gastrenterologistas especialistas em oncologia e oncologistas médicos.
O programa combina a estrutura académica do doutoramento CAML com o ambiente científico, clínico e tecnológico da Fundação Champalimaud. Os estudantes beneficiam de coorientação científica por docentes e investigadores de ambas as instituições, bem como de acesso a seminários, reuniões científicas, formação laboratorial e mentoria ao longo do desenvolvimento dos seus projetos.
Para Filipe Borges, o programa representa uma oportunidade para abordar questões clínicas com um enquadramento científico sólido. “Integrar este programa é uma oportunidade para desenvolver um projeto de investigação num ambiente onde a oncologia cirúrgica, a biologia do cancro e a ciência translacional estão profundamente interligadas”, afirma.
As oportunidades de formação incluem princípios de cirurgia experimental, ética em investigação experimental e clínica, metodologia de ensaios clínicos, oncobiologia, projetos translacionais em cirurgia, biobancos, patologia digital, tecnologias de sequenciação, spatial omics, bioinformática, escrita científica e preparação de candidaturas a financiamento.
Como salienta Ana João, esta abordagem multidisciplinar é essencial. “A oncologia cirúrgica depende cada vez mais da integração de diferentes áreas, desde a biologia molecular e a patologia até aos ensaios clínicos e à análise de dados”, refere. “Este doutoramento oferece a oportunidade de desenvolver investigação num contexto que reflete essa complexidade.”
Os projetos poderão ser desenvolvidos em investigação básica, translacional ou clínica, apoiados por iniciativas em curso na Fundação Champalimaud. Sempre que apropriado, os projetos poderão também envolver o laboratório de cirurgia experimental e o biotério da FMUL.
A integração entre prática clínica e investigação é central à missão do programa. Como destaca Miguel Fróis Borges, “o programa cria um enquadramento em que a formação cirúrgica e a investigação académica se reforçam mutuamente. Isto é essencial para formar a próxima geração de cirurgiões capazes de contribuir não apenas para os cuidados de saúde, mas também para evolução científica desta área.”
Sobre o programa, Vera Oliveira destaca que o seu valor reside na capacidade de transformar questões clínicas em investigação científica estruturada. “Muitas questões de investigação surgem diretamente da prática clínica”, afirma. “Este programa oferece a mentoria, a estrutura e o ambiente institucional necessários para transformar essas questões em projetos de investigação robustos.”
Os estudantes integrarão igualmente um ambiente colaborativo de investigação concebido para promover a troca científica, a mentoria e o envolvimento internacional. Ao longo do programa, será incentivada a participação em reuniões científicas nacionais e internacionais.
Para Kai Sun, este ambiente integrado é uma das maiores mais-valias do programa. “A oportunidade de desenvolver um projeto de doutoramento numa rede que reúne experiência clínica, investigação laboratorial e tecnologias avançadas é extremamente valiosa”, afirma. “Esta integração é essencial para uma investigação com impacto real na oncologia cirúrgica.”
Marta Sousa sublinha a importância da formação avançada em investigação para clínicos envolvidos na inovação em oncologia. “O programa cria as condições para desenvolver competências científicas, mantendo um forte foco na oncologia cirúrgica e nos desafios relevantes para os doentes”, afirma.
O lançamento desta primeira edição reforça o compromisso conjunto da Fundação Champalimaud e da FMUL com a educação biomédica, a investigação clínica e a liderança académica em oncologia cirúrgica.
Ao iniciarem os seus trabalhos de doutoramento, estes primeiros estudantes contribuirão também para definir a identidade deste novo programa e para fortalecer um ecossistema de investigação dedicado ao avanço da oncologia cirúrgica e à melhoria dos cuidados em cancro.
Texto de Teresa Fernandes, Co-Cordenadora da Equipa de Comunicação, Eventos e Outreach da Fundação Champalimaud.